A Índia é o país mais populoso do mundo, com cerca de 1,46 mil milhões de habitantes em 2025. Ultrapassou a China em 2023 e, ao contrário da maioria das grandes economias, a sua população continua a crescer e é jovem: a idade mediana ronda os 29 anos. É o dado mais importante para qualquer marca de consumo que olhe para a Índia.
O PIB per capita é de cerca de 2.700 dólares e a economia cresce à volta de 7 % ao ano, mais do que qualquer outra grande economia. Os serviços sustentam a maior parte desse crescimento — tecnologia, outsourcing e finanças —, enquanto o programa «Make in India» e os incentivos à produção atraem fabrico de eletrónica e de produtos farmacêuticos. Os rendimentos sobem mais depressa nas cidades, e é aí que os produtos importados encontram comprador.
As principais importações são petróleo bruto, ouro e pedras preciosas, eletrónica e circuitos integrados, máquinas, produtos químicos e fertilizantes, e óleos alimentares. Os direitos aduaneiros são elevados face a outros mercados asiáticos, por isso o custo à chegada e a embalagem local costumam decidir se o seu produto consegue competir.
Os pontos de partida óbvios são Nova Deli para a administração, Bombaim para finanças e media, Bangalore para tecnologia, Hiderabade e Pune para indústria tecnológica, e Chennai para indústria e automóvel. Mas uma parte crescente do consumo vem de cidades de segunda linha como Jaipur, Lucknow, Indore ou Coimbatore, onde há muito menos concorrência pelo espaço no linear.
Retalho e comércio instantâneo na Índia
O retalho moderno é ainda uma fatia pequena do mercado indiano — a maior parte das vendas passa por milhões de pequenas lojas kirana —, mas cresce depressa. A Reliance Retail é de longe o maior retalhista organizado, presente em mais de 1.000 cidades e com a sua própria rede de entrega rápida. A Avenue Supermarts (DMart) é o retalhista alimentar mais rentável, seguido à distância pela Trent (Star) e pela Spencer’s. Nomes da geração anterior, como Big Bazaar, HyperCity ou More, desapareceram ou mudaram de mãos após a queda do Future Group.
A verdadeira mudança dos últimos anos é o comércio instantâneo: alimentação e produtos do dia a dia entregues a partir de armazéns urbanos em dez a trinta minutos. A Blinkit detém mais de metade desse mercado, com a Swiggy Instamart e a Zepto a rondar cada uma os 20 a 25 %; juntas ultrapassam 85 %. Espera-se que o canal passe de cerca de 4 mil milhões para mais de 25 mil milhões de dólares até 2030, e é aí que está hoje a maior parte do crescimento urbano em bens de grande consumo.
Para um fornecedor estrangeiro isto significa duas conversas em simultâneo: uma com um distribuidor capaz de servir o comércio tradicional e as cadeias, outra sobre referenciação, preços e entrega para as plataformas de entrega rápida. Poucos parceiros são fortes nos dois, por isso vale a pena decidir com honestidade de que canal o seu produto precisa primeiro.

